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Futuro da Linguagem

Entrevista

Gabriela Marques Di Giulio

Professora da Faculdade de Saúde Pública da USP e membro da coordenação do programa Biota-Fapesp fala sobre as Soluções Baseadas na Natureza, a importância do diálogo de cientistas com atores institucionais e como fazer para que as informações sobre a crise da biodiversidade cheguem ao público geral

Sobre

Professora associada do Departamento de Saúde Ambiental da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). É membro da coordenação do programa Biota-Fapesp e bolsista de produtividade do CNPq-PQ2. Integra o grupo de pesquisa Meio Ambiente e Sociedade no Instituto de Estudos Avançados da USP, é vice-líder do grupo CIRIS-Governança, Risco e Comunicação e pesquisadora permanente do Incline-USP, onde coordena a linha de pesquisa Cidades, Vulnerabilidades e Mudanças Climáticas.

Tem doutorado em Ambiente e Sociedade pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mestrado em Política Científica e Tecnológica pelo Instituto de Geociências da Unicamp, especialização em Jornalismo Científico pela Unicamp e graduação em Comunicação Social - Jornalismo pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho.

Atuou como pesquisadora visitante na Universidade de York (Inglaterra) e realizou estágio de pós-doutoramento no Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais da Unicamp, estágio de pesquisa na Universidade de Stuttgart (Alemanha) e estágio de doutorado sanduíche no Institute of Hazard, Risk and Relisience (Universidade de Durham, Inglaterra).

Suas áreas de interesse em pesquisa incluem mudanças climáticas e adaptação; governança e comunicação de riscos e incertezas; saúde global e transição para sustentabilidade.

FCW – Quais são, atualmente, seus principais temas e projetos de pesquisa?

Gabriela Marques Di Giulio – Tenho me dedicado ao estudo das dimensões humanas nas mudanças do clima em dois eixos centrais, um mais focado nos processos de adaptação e outro mais focado nas interações entre ciência e política. O trabalho com adaptação às mudanças climáticas é feito no contexto das cidades brasileiras. Realizamos pesquisas em que discutimos quais são as barreiras e dificuldades que as cidades têm para avançar nessa agenda adaptativa. Buscamos entender como é possível trazer a questão da adaptação em uma perspectiva mais transversal no contexto das administrações públicas, das gestões públicas, pensando na diversidade de departamentos, de secretarias, mas também nas ações que vêm sendo conduzidas. Buscamos, ainda, analisar o papel do governo local nesta temática e quais são as possibilidades exploradas pelas cidades para alinhar adaptação e sustentabilidade.


FCW – E quanto ao eixo de interações entre ciência e política? 

Gabriela Marques Di Giulio – Trabalhamos na perspectiva de entender como essas interações ocorrem na prática. Investigamos e discutimos, por exemplo, como o conhecimento produzido sobre questões socioambientais climáticas tem sido apreendido e usado pelos tomadores de decisão, pelos atores institucionais. A relação entre ciência e política não é linear, é uma relação multifacetada, permeada por interesses, muitas vezes por tensões, conflitos e por muitas negociações. Buscamos, a partir de experiências empíricas, identificar possibilidades de melhorar essas interações por meio da coprodução de conhecimento, de um processo interativo e dialógico de produção de conhecimento com a participação dos diversos atores. Buscamos avançar em projetos que sejam de fato mais integradores, mais participativos, e nos quais haja um alinhamento dos nossos interesses de pesquisa e dos interesses e demandas daqueles que estão na ponta e que precisam alcançar respostas urgentes e efetivas para as questões socioambientais e climáticas com que lidam no dia a dia. 


FCW – É uma linha de pesquisa mais interativa, mais participativa.  

Gabriela Marques Di Giulio – Sim, é feita a partir de diálogos e interações com atores institucionais. No projeto Biota Síntese, por exemplo, temos construído diálogos tanto com secretarias estaduais, em particular a Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, mas também com atores locais, das prefeituras de Santos, São Paulo e Campinas. Buscamos compreender como essas gestões enxergam possibilidades de melhorar a capacidade adaptativa, a sustentabilidade dos territórios e a qualidade de vida das pessoas por meio de estratégias mais alinhadas com a abordagem conhecida como Soluções Baseadas na Natureza (SbN). Temos procurado investigar que caminhos são esses, como as cidades têm se apropriado ou não da discussão atual sobre SbN, de que tentativas e processos de aprendizado as cidades também se valem e querem compartilhar entre elas – na perspectiva de que as cidades aprendem umas com as outras. São projetos mais interativos que possibilitam o compartilhamento de informações e conhecimentos. Um dos grandes desafios é exatamente identificar e analisar quais são os aspectos que pesam no processo de planejamento e implementação de SbN e quais são os critérios e indicadores que possibilitam avaliar a eficácia e eficiência das SbN. As cidades têm avançado nesta abordagem, buscando priorizar a infraestrutura verde e azul – que preserva as funções dos ecossistemas – para lidar com um conjunto de problemas, entendendo inclusive que esta abordagem é mais poderosa e traz mais benefícios e cobenefícios do que as ações focadas na infraestrutura cinza. Contudo, é preciso reconhecer que a infraestrutura cinza, apesar dos efeitos colaterais associados a ela, ainda é bastante adotada pelos municípios. Muitas vezes, os governos locais se sentem mais confortáveis em adotá-la porque têm mais experiência, já sabem como investir recursos e planejar as ações. Por isso, precisamos investigar e discutir critérios, indicadores e benefícios associados às SbN para fomentá-las e ter elementos que evidenciem porque vale muito mais a pena investir recursos e esforços nesta abordagem.


FCW – Vocês têm observado um aumento no interesse por parte dos atores institucionais em discutir e procurar soluções para a crise da biodiversidade?

Gabriela Marques Di Giulio – Sem dúvida. É interessante que chamamos hoje essas estratégias de infraestrutura verde, infraestrutura azul, soluções baseadas na natureza; contudo, os diálogos com os atores institucionais mostram que eles têm anos de experiência nessas estratégias, ainda que adotassem outros termos, em particular os atores institucionais mais ligados às secretarias de meio ambiente ou de planejamento. Há tempos eles têm considerado a questão socioambiental como uma dimensão relevante nas decisões, mostrando que abordar e implantar, por exemplo, jardins de chuva, arborização, corredores ecológicos, estratégias para melhora da qualidade dos corpos d'água, de recursos hídricos, em suma, formas de conservar e proteger a biodiversidade, fazem parte do repertório deles muito antes da nomenclatura que passou a circular nos últimos anos sobre soluções baseadas na natureza. A discussão atual sobre SbN está muito calcada no desenvolvimento de pesquisas que vem sendo acelerado principalmente no contexto europeu, no norte global. Penso que esta narrativa ainda é recente no contexto do sul global, embora, como mencionei, as estratégias de SbN vêm sendo elaboradas e executadas há tempos pelos municípios. Os atores institucionais estão muito mais alinhados à abordagem de SbN, ainda que o repertório discursivo não tenha sido sempre esse. 


FCW – Seu grupo também tem investigado as interações entre crises globais, como a Covid-19, e seus impactos em práticas de sustentabilidade.

Gabriela Marques Di Giulio – A pandemia da Covid-19 trouxe para nós, particularmente porque estamos no Departamento de Saúde Ambiental da Faculdade de Saúde Pública da USP, um chamamento também para situarmos essa crise: o que é essa crise sanitária e de saúde global, quais são suas causas e efeitos, como ela agrava as diversas desigualdades em curso, as diversas fragilidades como a insegurança alimentar e condições de vulnerabilidade. Queremos entender as respostas que emergem em diferentes contextos frente a uma crise de saúde global. Tenho atualmente um grupo de orientandos que se debruça sobre as diversas facetas dessa crise, desde entender, por exemplo, as conexões com outras crises em curso, como a da biodiversidade ou a climática, e como essas conexões são tratadas e ganham repercussão nas discussões públicas e nas decisões políticas e como podem ou não tensionar a discussão sobre sustentabilidade. No nosso grupo investigamos os enquadramentos discursivos sobre a pandemia, ou seja, como é que a produção e a circulação de informações e de falsas informações permeiam a forma como as pessoas compreendem essa crise, como se posicionam diante dela, como mudam ou não comportamentos e atitudes e como percebem os riscos relacionados. Nosso olhar está direcionado, em particular, para os impactos e a resposta brasileira à Covid. Fizemos um estudo, que foi publicado no início do ano, mobilizando o arcabouço teórico-analítico da governança de risco para situar a resposta bastante caótica, negativa e danosa do governo federal brasileiro à pandemia. 


FCW – A degradação de ecossistemas é cada vez maior e milhares de espécies estão desaparecendo sem que as pessoas se deem conta. Por que grande parte da sociedade ainda parece ignorar a dimensão da crise da biodiversidade? 

Gabriela Marques Di Giulio – Por coincidência hoje mesmo eu estava pensando em um evento que organizamos, eu e Pedro Jacobi, com o historiador e professor Luiz Marques, da Unicamp, que lançou o livro O Decênio Decisivo. Uma questão que coloco é o quanto esse esforço de situar a crise climática e a crise da biodiversidade como emergências tem sido efetivo na prática, ainda que a gente entenda a retórica política e sua importância nesse chamamento sobre a urgência e a necessidade de ações mais efetivas e de resposta. Esse enquadramento como emergência significa o quê propriamente? Que as pessoas estão mais atentas, estão mais sensibilizadas? Ou é apenas uma retórica política que pode até fazer certo sentido em algumas arenas, mas que efetivamente não muda muito a forma como as pessoas estão se situando diante dessas crises ou estão construindo as conexões necessárias para entender as causas e os efeitos dessas crises. Quando analisamos pesquisas de opinião pública no mundo – e no Brasil não é diferente –, observamos que as pessoas sempre se dizem muito preocupadas com a crise climática e com a crise da biodiversidade. Mas, então, chegam as eleições e temos vitória de governos de direita, de governantes bastante apáticos à questão ambiental, com propostas que vão completamente na contramão do que se discute sobre sustentabilidade no século 21. As pessoas se dizem preocupadas mas elegem candidatos completamente desalinhados da discussão atual sobre conservação e proteção de biodiversidade, sobre mudanças climáticas, sobre a necessidade de mitigação e de adaptação.


FCW – O que é preciso fazer para ampliar a preocupação com a biodiversidade?

Gabriela Marques Di Giulio – Do lado da comunidade científica, acho que precisamos continuar insistindo em melhorar a comunicação dos resultados de pesquisas e, em particular, da gravidade e seriedade da situação. Essa é uma comunicação difícil de ser feita, porque precisa situar a urgência de mudar o rumo, mas sem ser alarmista ao ponto de deixar as pessoas em estado de completa inação. É preciso tomar cuidado com aquela ideia de que o problema é tão grande que as pessoas se sentem tão pequenas diante dele e, portanto, não vão fazer absolutamente nada. Há uma discussão bem interessante, que precisa de mais mobilização, sobre como podemos melhorar a educação e a literacia científica. Ou seja, como atuar junto  aos diferentes públicos na compreensão sobre relações de causa e efeito, sobre  como e por que determinadas práticas e decisões agravam certos fenômenos. Outro ponto fundamental é a circulação de informação e de desinformação. Temos lidado com várias facetas de negacionismos e as fake news são parte importante nesse cenário. É fundamental também avançar na transdisciplinaridade, na perspectiva de coprodução de conhecimento, promovendo na prática diálogos de saberes e integração de conhecimentos para pensarmos juntos os problemas que se apresentam e as possíveis soluções e respostas para enfrentá-los.  


FCW – Em seus trabalhos, vocês têm identificado que mais do que melhorar a forma como a comunicação é feita, é fundamental envolver a sociedade na produção do conhecimento. 

Gabriela Marques Di Giulio – Esse é um ponto fundamental e as recentes crises – a climática, a pandemia de Covid-19 – têm evidenciado a necessidade de avanços e amadurecimentos. Nunca se falou tanto sobre coprodução de conhecimento, sobre transdisciplinaridade, sobre como podemos melhorar o diálogo entre diferentes saberes, como conferir legitimidade a outras narrativas além das narrativas científicas, e o desafio de tomar decisões com base em evidência e naquilo que se conhece. É um desafio, particularmente no contexto brasileiro, onde houve por muito tempo uma resistência  a fazer esse diálogo e a avançar efetivamente nessa interação. A ideia de torre de marfim ainda está muito presente na discussão sobre a ciência, sobre o papel das universidades públicas. Mas como é que a gente se aproxima de fato com a sociedade? Acho que um ponto importante nessa discussão é melhorar a interlocução com quem toma decisão. Aquela ideia de que a ciência é objetiva, de que pesquisadores e pesquisadoras devem produzir conhecimento técnico-científico e publicar os resultados a serem discutidos com os pares – e se os resultados vão ser mobilizados ou subsidiar políticas públicas não cabe no rol de preocupações de quem produz ciência – não cabe no século 21. Precisamos sim fazer o chamado “‘lobby científico”, precisamos usar os mecanismos e instrumentos disponíveis para melhorar a interação com a sociedade, com os formuladores de políticas públicas, com os tomadores de decisão. São muitos os elementos para pensar em como melhorar não só a compreensão e a sensibilização das pessoas em relação à gravidade do que estamos vivendo, mas para mostrar por que precisamos agir agora. Não temos mais tempo para ficar adiando, de achar que temos um bom diagnóstico do problema e podemos deixar as soluções para o futuro. Há urgência na resposta, é preciso agir agora.


FCW – No plano estratégico Biota 2030, o programa destaca que o desenvolvimento de uma ciência da biodiversidade socialmente relevante e dinamizadora dependerá de uma forte integração de conhecimentos das ciências naturais e sociais, além de uma interação com os diversos atores fundamentais para a governança, gestão e uso sustentável da biodiversidade.

Gabriela Marques Di Giulio – Quando recebi o convite para integrar a coordenação do Biota fiquei muito lisonjeada. Havia um desejo de trazer para a coordenação do Programa de forma mais próxima as ciências humanas e sociais, de onde eu venho originalmente, de forma a potencializar perspectivas de estudos e análises interdisciplinares, mais holísticas e transdisciplinares para pensar os sistemas socioecológicos. O plano estratégico Biota 2030 busca incentivar o apoio a projetos que lidem com os desafios da atualidade, fortalecendo a integração do conhecimento com a sociedade, com o objetivo de  fortalecer a diversidade, inclusão e equidade nas pesquisas e de potencializar o uso do conhecimento gerado pelas partes interessadas. Esse não é um movimento exclusivo do Biota mas é um movimento internacional, que está acontecendo em diversos programas e agências de pesquisa. É o reconhecimento da relevância da coprodução do conhecimento, considerando todos os tensionamentos, desafios e dificuldades que existem nesse processo. De reconhecer que é necessário estabelecer um melhor diálogo entre os diferentes saberes. Novamente, essa não é uma discussão nova, mas que agora ganha força, se ancorando na promoção de uma ciência mais inclusiva, equitativa, que reconheça a pluralidade de ideias e que abrace a diversidade, que permita enxergar possíveis caminhos, possíveis soluções e, em particular, repensar as formas usuais que levaram aos problemas com os quais temos nos defrontado. 


FCW – Esse é o cenário de um dos novos eixos do programa Biota, o Biota Transformação, que “busca ampliar o entendimento do papel da biodiversidade para transições sustentáveis inovadoras em sistemas socioambientais”. 

Gabriela Marques Di Giulio – O eixo temático Transformação está muito alinhado com a discussão atual sobre integração de saberes, sobre o reconhecimento de outras perspectivas que devem ser vistas como tão relevantes e tão legítimas quanto a perspectiva científica para o entendimento dos fenômenos. Mais do que isso, para a solução dos problemas com os quais a gente se depara. Está muito em sintonia com a discussão sobre cocriação, coprodução e codisseminação de conhecimento. A ideia de que a ciência não deve ser feita apenas dentro dos laboratórios, das universidades e institutos de pesquisa. De entender como podemos promover outras formas de engajamento com a sociedade para que ela não apenas tenha mais conhecimento sobre o que vem sendo produzido – e para que serve esse conhecimento e como esse conhecimento está presente no cotidiano –, mas, em particular, para que a sociedade se some nesse processo de produção do conhecimento. Isso passa por reconhecermos a necessidade de melhorar o diálogo entre áreas, entre campos de conhecimento, mas também entre atores que produzem conhecimentos, que não devem ser unicamente os cientistas. Para isso, precisamos envolver comunidades locais, comunidades tradicionais, lideranças da sociedade civil organizada, organizações não governamentais, mas também atores institucionais que atuam no governo local, no governo estadual, com o objetivo de  alcançar, de fato, uma comunidade ampliada de pares. 


Revista FCW Cultura Científica v. 2 n.1 Fevereiro - Abril 2024

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