Prêmio FCW de Fotografia 2026 define vencedores
Em cerimônia realizada em São Paulo, Cássio Vasconcellos, Isis Medeiros e Ana Leal receberam os prêmios pelo primeiro, segundo e terceiros lugares na maior premiação da área no país

Cássio Vasconcellos, com o ensaio “Interiores", foi o grande vencedor do Prêmio FCW de Fotografia 2026, concedido pela Fundação Conrado Wessel. Em cerimônia realizada na noite de quinta-feira (29/10), em São Paulo, o fotógrafo recebeu R$ 90 mil e o troféu do Prêmio FCW, criado pelo artista plástico Nicolas Vlavianos.
“Agradeço à Fundação Conrado Wessel e a todos os envolvidos neste prêmio tão importante. Para realizar o ensaio, percorremos 12 mil quilômetros de carro, em uma viagem de dois meses que partiu de São Paulo, passou pelo norte do Piauí e pelo Tocantins e nos levou a conhecer paisagens pouco conhecidas do interior do Brasil. A proposta foi justamente revelar lugares extraordinários, que merecem ser mais conhecidos e valorizados. Nosso país é maravilhoso, e precisamos olhar mais para ele. Viva a cultura, viva a arte! Muito obrigado", disse Vasconcellos ao receber o prêmio.

Isis Medeiros conquistou o segundo lugar, com prêmio de R$ 40 mil, e Ana Leal ficou em terceiro, com R$ 25 mil. As duas também receberam o troféu da premiação, que, em sua 20ª edição, aumentou o total distribuído para R$ 155 mil. A escolha dos vencedores foi feita a partir da indicação do júri de seleção e do voto dos participantes da cerimônia de premiação.


Uma das mais importantes e tradicionais premiações dedicadas à fotografia no país, o Prêmio FCW teve, em sua 20ª edição, o tema “Veredas do Brasil”, em homenagem aos 70 anos da publicação de Grande Sertão: Veredas. A obra-prima de João Guimarães Rosa revolucionou a literatura brasileira e permanece como uma das mais influentes interpretações da identidade nacional.
“A escolha do tema ‘Veredas do Brasil’ para a 20ª edição do Prêmio FCW de Fotografia é especialmente simbólica por sua capacidade de refletir a diversidade, a riqueza e a complexidade do país. A forte participação da comunidade de fotógrafos demonstra a relevância desse tema e a vitalidade da produção fotográfica brasileira”, disse Carlos Vogt, diretor-presidente da Fundação Conrado Wessel.
“Ao longo de sua trajetória, o Prêmio FCW consolidou-se como uma importante iniciativa de valorização da fotografia no Brasil, contribuindo para o reconhecimento de artistas, para a reflexão sobre o país e para a difusão de diferentes olhares sobre nossa cultura, nossa sociedade e nosso território”, disse Vogt.
A 20ª edição do Prêmio também comemorou os 200 anos do advento da fotografia, representados pela primeira imagem técnica produzida por Nicéphore Niépce, e prestou homenagem a Maureen Bisilliat, que participou da cerimônia. Autora de ensaio fotográfico dedicado à literatura brasileira, publicado em 1969 e inspirado justamente em Grande Sertão: Veredas, Bisilliat transformou em imagens o universo criado por Guimarães Rosa e estabeleceu um diálogo pioneiro entre a fotografia e a literatura, referência que permanece atual e inspiradora.
Participação nacional
“O Prêmio FCW de Fotografia 2026, a mais longeva e importante distinção da produção fotográfica brasileira, consolida seu papel pioneiro em relação ao fomento à nossa cultura fotográfica”, disse Rubens Fernandes Junior, coordenador do Prêmio FCW de Fotografia.
A edição de 2026 recebeu 494 ensaios fotográficos, enviados por fotógrafos de todos os estados brasileiros, demonstrando a abrangência nacional do prêmio e a forte mobilização da comunidade fotográfica em torno do tema proposto.
“Embora o conjunto total de inscritos tenha demonstrado o histórico predomínio da fotografia documental brasileira, a grande surpresa ficou por conta da seleção dos finalistas. Os três ensaios finalistas, por incrível que possa parecer, se aproximam mais da fotografia experimental, expandindo as fronteiras da fotografia contemporânea: ‘Chão de Histórias’ (de Ana Leal), ‘Interiores’ (de Cássio Vasconcellos) e ‘Sertão Aceso’ (de Isis Medeiros)”, disse Fernandes Junior.
O júri de seleção do prêmio foi composto por Érico Hiller (fotógrafo e primeiro lugar na edição de 2025 do Prêmio FCW de Fotografia), Leão Serva (jornalista e professor de Ética e Jornalismo Opinativo na ESPM), Maíra Gamarra (curadora, editora e pesquisadora), Sofia Fan (gerente do Núcleo de Artes Visuais e Acervos do Itaú Cultural) e Rubens Fernandes Junior.
“Ao destacar a diversidade técnica e estética dessas produções, o júri da 20ª edição reforçou a busca permanente, curiosa e singular da fotografia brasileira diante do mundo visível. Os trabalhos finalistas projetam o vigor e a originalidade da nossa produção fotográfica contemporânea”, disse Fernandes Junior.
Os ensaios vencedores
“Os trabalhos vencedores apresentam processos criativos singulares, com abordagens que se distinguem tanto pela técnica quanto pela estética. São três ensaios potentes, que revelam diferentes perspectivas sobre o sertão brasileiro e sua complexidade. Um território que continua a inspirar novas gerações de fotógrafos, assim como inspirou Guimarães Rosa e Maureen Bisilliat, reafirmando a força da paisagem e da cultura brasileiras como fontes inesgotáveis de criação e reflexão", disse Fernandes Junior.
Veja os ensaios premiados, com comentários do coordenador do Prêmio FCW de Fotografia.
Cássio Vasconcelos Interiores Cássio documenta paisagens que evocam as gravuras dos artistas viajantes do século 19, criando imagens exuberantes que percorrem territórios do Cerrado à Caatinga. Segundo o fotógrafo, seu trabalho “se aproxima da memória e a paisagem conhecida recupera algo de enigmático”.
Isis Medeiros Sertão Aceso
Isis retrata o sertão profundo de Minas Gerais e documenta territórios ancestrais, outrora tranquilos, hoje ameaçados pelo avanço da exploração mineral. Como relata a fotógrafa, “entre o Norte de Minas e o Vale do Jequitinhonha, uma nova corrida mineral avança (...) o lítio transforma profundamente a paisagem (...) alterando os modos de vida construídos ao longo de gerações”.
Ana Leal
Chão de Histórias
Ana parte de reminiscências familiares do sertão pernambucano para construir uma narrativa em que memória e matéria se confundem. Como afirma a fotógrafa, “o chão deixa de ser apenas cenário para tornar-se corpo, arquivo e testemunha”.
Fotos da premiação: Davi Martins / Clint Filmes
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