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Morre a linguista Cláudia Theresa Guimarães de Lemos

Professora do Departamento de Linguística da Unicamp destacou-se nos estudos da fala infantil, aquisição da linguagem e na interseção entre linguística e psicanálise



É com profundo pesar que a Fundação Conrado Wessel registra o falecimento, aos 91 anos, de Cláudia Theresa Guimarães de Lemos, professora aposentada do Departamento de Linguística da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) com importante contribuição em estudos da fala infantil, aquisição da linguagem e na interseção entre linguística e psicanálise.


O velório ocorrerá no sábado, 31 de janeiro, das 10h30 às 13h30, no Cemitério da Saudade em Campinas, seguido de sepultamento.


O Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp divulgou nota em que ressalta a participação da docente na história do instituto, desde a fundação, tendo construído um trabalho pioneiro sobre a fala da criança, que deu lugar a um rico acervo depositado desde 1990 no Centro de Documentação Cultural do IEL.


"A coleção, doada por ela, coordenadora do Projeto de Aquisição da Linguagem Oral, abrange o período entre 1970 e 1988 e é constituída por 253 fitas de rolo e suas respectivas transcrições. O caráter pioneiro do trabalho da professora Cláudia de Lemos se evidenciou também na sua atuação como membro fundadora do Centro de Pesquisa Outrarte, onde participou na criação de um novo campo de investigação dedicado a pensar a linguagem a partir da psicanálise", destaca o IEL.


"Com seu rigor teórico e sua sensibilidade analítica formou inúmeros estudantes e impactou positivamente a trajetória de colegas de diversas instituições, ganhando o respeito e a admiração daqueles que tiveram o privilégio de conhecê-la. Sua presença marcante deixa imensas saudades. Em 2025, o Conselho Universitário da Unicamp aprovou por unanimidade a concessão à docente do título de Professora Emérita, a mais alta honraria outorgada pela instituição; infelizmente não deu tempo de receber a homenagem em vida", diz a nota.


Cláudia Lemos foi pioneira no Brasil a tratar a fala da criança não apenas como objeto de descrição linguística, mas como um fenômeno complexo em que a fala "resiste a ser descrita” e em que a própria posição do investigador se transforma ao investigá-la. Isso ficou expressado em seu artigo “Das vicissitudes da fala da criança e de sua investigação” (2002), no qual ela colocou em discussão esse próprio enigma da fala infantil e as mudanças conceituais que ele implica.


Ao longo de sua carreira, Lemos desafiou abordagens tradicionais ao destacar que a fala infantil não pode ser reduzida a normas adultas, pois é heterogênea, singular e marcada tanto pela linguagem como pela relação com o outro. Pesquisadores que dialogam com seu trabalho destacam que ela criticava “a eliminação das repetições, músicas, interjeições, palavras inexistentes no vocabulário adulto” das análises linguísticas tradicionais, apontando a esses elementos importância epistemológica e clínica.


Sua trajetória intelectual atravessou fronteiras disciplinares. Além de seu profundo compromisso com a descrição linguística da fala, Cláudia Lemos foi referência na articulação entre linguística estrutural e psicanálise, especialmente na forma como a linguagem articula sujeito e símbolo, que observa “os processos de incidência do campo da psicanálise, com Jacques Lacan, no percurso de uma pesquisadora do Brasil dedicada a estudar a fala da criança”.


Foto: Unicamp




 
 
 

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