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SBPC anuncia vencedoras da 7ª edição do Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher

Com três vencedoras e três menções honrosas, premiação busca reconhecer trajetórias que influenciaram a ciência brasileira. Cerimônia de entrega dos prêmios será em 11 de fevereiro



A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) anunciou as vencedoras da 7ª edição do Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher. A premiação é uma homenagem anual da SBPC para reconhecer o talento e a dedicação de mulheres e meninas brasileiras que constroem o futuro da ciência.


Na categoria Humanidades, a vencedora foi a professora emérita da Universidade de São Paulo (USP), Anna Mae Tavares Bastos Barbosa; já na categoria Exatas e Ciências da Terra, a premiada foi a professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Iris Concepcion Linares de Torriani; e na categoria Ciências Biológicas e da Saúde, a ganhadora foi a professora da Universidade de São Paulo, Luisa Lina Villa.


A 7ª edição do Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher também concedeu três menções honrosas. Na categoria Humanidades, o destaque foi para Maria Arminda do Nascimento Arruda, professora da Universidade de São Paulo; já no campo de Exatas e Ciências da Terra, o reconhecimento foi dedicado à Marilia Oliveira Fonseca Goulart, docente da Universidade Federal de Alagoas (UFAL); na área de Ciências Biológicas e da Saúde, a menção honrosa foi para Nísia Verônica Trindade Lima, professora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).


O prêmio é realizado anualmente, alternando duas categorias – “Mulheres Cientistas” e “Meninas na Ciência”. Esta edição foi dedicada às “Mulheres Cientistas”, que homenageia pesquisadoras com trajetórias de destaque em três grandes áreas do conhecimento: Humanidades; Ciências Biológicas e da Saúde; e Engenharias, Exatas e Ciências da Terra.


Encerrado em novembro, o processo de indicações de homenageadas resultou em 94 candidatas válidas, enviadas por 79 Sociedades Científicas Afiliadas à SBPC, um crescimento de 68% em relação à edição anterior desta categoria, realizada em 2023, que recebeu 56 indicações de 52 sociedades.


“Tivemos um número excelente de candidatas, além de serem excelentes cientistas. Porque não só o número aumentou, mas a qualidade também, está cada vez mais difícil a escolha das ganhadoras. São pessoas com trajetórias bastante longas na ciência, com dedicação enorme a vida toda. Mulheres que se dedicaram, mas também mostraram a sua capacidade de produzir um conhecimento que proporcionou a transformação de uma área, ou um conhecimento que trouxe benefícios para a saúde, o desenvolvimento humano, e que também gerou outros conhecimentos”, disse a vice-presidente da SBPC e coordenadora desta edição, Soraya Smaili.


Após as inscrições, as candidaturas foram analisadas por uma comissão julgadora formada por nove cientistas mulheres, de diversas instituições do País, que definiu uma vencedora e uma menção honrosa em cada área do conhecimento. Para isso, foram considerados alguns critérios, como relevância e qualidade da trajetória; impacto científico, educacional ou social; e diversidade regional e institucional.


“Estamos muito felizes em ter seis grandes mulheres, seis grandes cientistas, seis grandes seres humanos e pessoas extremamente dedicadas à nossa ciência brasileira, mas também reconhecidas internacionalmente. Ao mesmo tempo, mulheres com grandes contribuições para o desenvolvimento do nosso País e o desenvolvimento de outras mulheres – porque nós levamos muito em consideração isso também, a forma como cada uma contribuiu para disseminar as mulheres na ciência”, disse Smaili, que também é professora Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e membro do Conselho Curador da Fundação Conrado Wessel.


Pesquisadora do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC/MCTI), diretora da SBPC e coordenadora da comissão julgadora do Prêmio na categoria de Exatas e Ciências da Terra, Ana Tereza Ribeiro de Vasconcelos afirma que uma das riquezas é conhecer histórias de vida que impactaram o país.


“Foi muito importante participar de mais essa edição do Prêmio Carolina Bori por identificar quantas mulheres já fizeram tanto pelo Brasil. Eu trabalhei principalmente na área de Exatas e pude notar mulheres que tiveram uma trajetória de vida implementando linhas novas de estudo que estão rendendo frutos até hoje. Mulheres à frente do seu tempo, que enfrentaram barreiras e que têm currículos maravilhosos. É muito importante para a SBPC e para todos nós termos essa lista de pessoas tão empoderadas, que podem fazer e fizeram o avanço da ciência. Todas elas são merecedoras desse prêmio tão importante para a gente.”


Também integrante da comissão julgadora, Maria Renilda Barreto, da Sociedade Brasileira de História da Ciência (SBHC), complementa que o Prêmio Carolina Bori traz visibilidade para a atuação científica, política e cidadã das intelectuais brasileiras. “Fazer parte da comissão julgadora foi um prazer e uma oportunidade de conhecer pesquisadoras das humanidades que transformaram a sociedade com seu trabalho, persistência e crença em uma sociedade melhor para todos/as.”


Para Ana Paula Morales, representando a Fundação Conrado Wessel, patrocinadora desta edição do Prêmio, que também compôs a comissão julgadora na área de Humanidades, a premiação estimula caminhos de futuro. “O prêmio reconhece a trajetória de cientistas mulheres brasileiras e o legado que deixam para a ciência e para o país – com impacto real na formação de pessoas, na produção de conhecimento e na construção de uma sociedade mais justa e esperançosa", disse Morales.


Já para Ivanise Rizzatti, conselheira da SBPC e professora da Universidade Estadual de Roraima (UERR), e que integrou a comissão julgadora na área de Exatas e Ciências da Terra, participar do Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher foi gratificante. “A área de Exatas ainda tem poucas mulheres atuando, esse reconhecimento e premiação considero ser um importante incentivo para que mais meninas e mulheres se interessem pela ciência e fortaleçam a pesquisa brasileira.”


Fazer ciência é lutar, engajar e difundir


Diretora da SBPC, professora da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), e coordenadora da comissão julgadora do Prêmio na categoria Humanidades, Marilene Corrêa ressalta a importância da premiação como resgate histórico e social do país.


“Eu quero destacar alguns aspectos do Prêmio Carolina Bori. O primeiro é a valorização da mulher cientista como mulher, pesquisadora, formuladora de políticas públicas, executora de projetos de ciência e formadora de recursos humanos – uma vez que a atividade dessa mulher cientista atinge o ensino, a pesquisa, a extensão universitária e constitui redes de conhecimento extremamente importantes para o seu campo disciplinar, para a ciência brasileira e para o futuro do Brasil.”


Outro aspecto destacado por Corrêa é a relação entre a ciência, a sociedade e a história de vida dessas escolhas femininas. “As mulheres escolhem ser cientistas num contexto que não é muito favorável, um contexto adverso, em que a mulher ainda luta pela igualdade de gênero e luta pela equidade também de gênero. E isso faz com que a trajetória científica dessa mulher se torne mais importante na medida em que ela lida com dificuldades não só do seu campo do conhecimento, mas como ela lida com dificuldades sociais, onde essas questões ainda estão em debate, onde nem todas as mulheres têm acesso à educação e muito menos têm a possibilidade de desenvolver uma carreira científica. Esse é um prêmio que valoriza a atuação individual e a intervenção social dessa mulher, por isso é um prêmio muito importante.”


O terceiro aspecto é o fato do Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher intercalar seus reconhecimentos entre as categorias "Mulheres Cientistas” e “Meninas na Ciência”:

“O Prêmio incentiva também o fortalecimento da carreira científica, na medida em que, ano sim e ano não, ele promove a premiação de meninas que já estão iniciando a carreira científica. E o fato de premiar as mulheres cientistas no início da carreira e no fim da carreira é o reconhecimento de quanto esses momentos são importantes. O primeiro porque define com clareza e objetividade a escolha, que é uma escolha muito importante para o Brasil, muito importante para as instituições científicas brasileiras, que é o início da carreira. E o momento final é quando essa carreira já consagrada consolida campos de conhecimento, amplia redes de conhecimento, e introduz de uma forma segura mais pessoas nos campos científicos, e faz com que esse campo científico se valorize cada vez mais.”


Conheça as ganhadoras


Vencedora da categoria Humanidades, Anna Mae Tavares Bastos Barbosa possui graduação em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (1960), mestrado em Art Education – Southern Connecticut State College (1974) e doutorado em Humanistic Education – Boston University (1978). Além de ser professora emérita da USP, é também professora da Universidade Anhembi Morumbi.


Sua trajetória acadêmica é marcada pela atuação nas áreas de Ensino da Arte e contextos metodológicos, História do Ensino da Arte e do Desenho, Interculturalidade, Estudos de Museus de Arte, entre outros temas. É referência de arte-educação no Brasil, principalmente por conta da sua luta pelo reconhecimento da área e sistematização da Abordagem Triangular no ensino da Arte.


Já a ganhadora da categoria Exatas e Ciências da Terra, Iris Concepcion Linares de Torriani, é física (Universidad de Buenos Aires/Universidad Nacional de La Plata, 1965) e doutora em Física pela Universidad Nacional de La Plata (1975), com estágio doutoral na University of Pennsylvania (Johnson Foundation, Dept. of Biophysics). Em 1976 chegou ao Instituto de Física “Gleb Wataghin” (IFGW) da Unicamp, onde consolidou uma trajetória acadêmica marcada pela liderança científica, formação de pessoas e pela implantação de uma infraestrutura estratégica para a comunidade de cristalografia e de materiais no Brasil.


Entre 1989 e 2004, dirigiu o Laboratório de Cristalografia Aplicada e Raios X do IFGW, onde teve atuação intimamente associada ao Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS/CNPEM). Sua produção acadêmica abrange contribuições em matéria condensada, nanoestruturas, polímeros, biomateriais e biologia estrutural, além de interfaces com técnicas complementares (como NMR e instrumentação de feixe síncrotron).


Por fim, a vencedora da categoria Ciências Biológicas e da Saúde, Luisa Lina Villa, possui graduação em Ciências Biológicas pela USP (1972) e doutorado em Ciências (Bioquímica) pelo Instituto de Química da USP (1978). É referência internacional em HPV, e trabalhou com o desenvolvimento da vacina profilática contra HPV – o HPV está relacionado a 100% dos casos de câncer de colo do útero.


Foi diretora do Instituto Ludwig e coordenou o INCT-HPV. Professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), lidera o Laboratório de Inovação em Câncer do ICESP (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo). Também é membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e Comendadora do Mérito Científico.


A cerimônia de entrega da 7ª edição do Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher será realizada no dia 11 de fevereiro de 2026, no Centro MariAntonia da USP, em São Paulo. Nesta edição, as premiadas receberão uma premiação em dinheiro no valor de R$ 25 mil, entre outras homenagens.


Esta 7ª edição do Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher tem o patrocínio da Fundação Conrado Wessel e o apoio da Fundação Péter Murányi, do CGEE (Centro de Gestão e Estudos Estratégicos) e do Centro MariAntonia.



 
 
 

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