Amazônia e o ponto de não retorno
- Fundação Conrado Wessel
- há 2 dias
- 2 min de leitura
Hipótese formulada há 26 anos continua incerta apesar das pressões crescentes sobre a floresta, destaca David Lapola,coordenador científico do programa AmazonFACE, que usou dados do projeto Atlas Cultural de Soluções Científicas (FCW e Agência Bori)

Formulada há 26 anos, a hipótese do ponto de não retorno da Amazônia permanece incerta, apesar das pressões crescentes sobre a floresta. A afirmação foi feita por David Lapola, professor da Unicamp e coordenador científico do programa AmazonFACE, em artigo na Folha de S.Paulo.
"É evidente que a Amazônia está sob forte pressão e passa por alterações importantes. As mais prevalentes são o desmatamento (atualmente em queda), degradação florestal (em alta com número recorde de incêndios em 2024) e mudanças climáticas (que se agravam, com um aquecimento de 1,5°C acima da média desde 1985). O aumento da temperatura reduziu em 30% a absorção de carbono nas florestas intactas na região desde os anos 90. Mas será que podemos falar em um ponto de não retorno no bioma?", disse Lapola. Segundo o cientista, a hipótese do ponto de não retorno da Amazônia — mudanças climáticas e desmatamento que transformariam a floresta em vegetação mais seca, inflamável e com menos biomassa — continua incerta. "A despeito dos esforços da ciência para reduzir essas incertezas, o termo 'ponto de não retorno' caiu nas graças da mídia e é usado indiscriminadamente para se referir a alterações do sistema climático que não são necessariamente repentinas, irreversíveis e em larga escala", disse.
Lapola destacou a análise de 823 artigos sobre o ponto de não retorno apresentada em um painel no Pavilhão das Universidades na COP30, que indicou pouco consenso sobre o nível de aquecimento ou desmatamento necessário para disparar o processo do ponto de não retorno e recomendou maior cuidado com a comunicação dessa hipótese.
A análise foi feita pelo projeto Atlas Cultural de Soluções Científicas para o Brasil (ACSCB), uma iniciativa da Fundação Conrado Wessel em parceria com a Agência Bori, que visa mapear, organizar e divulgar soluções baseadas em evidências científicas para problemas reais do país.
A partir de uma base robusta com cerca de 200 mil artigos científicos produzidos no Brasil nos últimos cinco anos, o projeto utiliza inteligência artificial e técnicas de Geração Aumentada de Recuperação (RAG) para identificar, sistematizar e tornar acessível o conhecimento científico nacional a tomadores de decisão. A proposta é transformar esse conhecimento em instrumento estratégico para políticas públicas, ações práticas e formulação de soluções em diferentes áreas.
Na COP30, o Atlas de Soluções foi apresentado no painel "Hipóteses extraordinárias exigem evidências extraordinárias: perspectivas em pesquisa, educação e ações sobre o tipping point da Amazônia", realizado na COP30 com participação de Sabine Righetti (Unicamp e Agência Bori) e Ana Paula Morales (Fundação Conrado Wessel e Agência Bori), Marina Hirota (Instituto Serrapilheira), Kaianaku Kamaiurá (Programa Kuntari Katu do Ministério dos Povos Indígenas e Comitê Indígena de Mudanças Climáticas) e Taís González (AmazonFACE/Unicamp).
Leia entrevista de David Lapola para a Revista FCW Cultura Científica: fcw.org.br/culturacientifica11/david-m.-lapola.
Foto: AmazonFACE






Comentários