Through Southern Lenses premia vencedor em Roma e abre exposição internacional de fotografia
- há 16 horas
- 4 min de leitura
Em cerimônia na Embaixada do Brasil, o fotógrafo peruano Musuk Nolte recebeu o prêmio da primeira edição. A mostra reúne também vencedores do Prêmio FCW de Fotografia

A Embaixada do Brasil em Roma sediou, no dia 6 de maio, a cerimônia de premiação da primeira edição do Through Southern Lenses: Science in Focus, prêmio internacional organizado pela Fundação Conrado Wessel (FCW) em parceria com a Academia Mundial de Ciências para o Avanço da Ciência nos Países em Desenvolvimento (TWAS).
O vencedor, o fotógrafo peruano Musuk Nolte, recebeu US$ 20 mil e um certificado em reconhecimento ao ensaio “Planting Water”. A cerimônia marcou também a abertura oficial da exposição homônima, com entrada gratuita ao público de 7 de maio a 19 de junho.
“O prêmio Through Southern Lenses nasceu da convicção de que a ciência precisa dialogar com a sociedade, e a fotografia é uma das formas mais poderosas de construir essa ponte em uma iniciativa de alcance global”, disse Carlos Vogt, diretor-presidente da Fundação Conrado Wessel.
Marcelo Knobel, diretor executivo da TWAS, destacou o alcance surpreendente da iniciativa em sua estreia. “O resultado superou nossas expectativas, com inscrições de 26 países e trabalhos que mostram como a fotografia pode mobilizar pessoas diante da crise climática. O tema inaugural, 'Geleiras e desertos', permite refletir sobre os impactos do aquecimento global e sobre as respostas das comunidades locais a esses desafios. O trabalho de Musuk Nolte representa isso de forma extraordinária”, disse.
A exposição reúne ainda os ensaios vencedores das três edições mais recentes do Prêmio FCW de Fotografia, o mais importante do Brasil na área: Érico Hiller (Minas Gerais), premiado em 2025 com o tema "Mudanças Climáticas"; Luciana Whitaker (Rio de Janeiro), vencedora em 2024 com "Brasil, um país surrealista"; e Fabiano Carvalho (Acre), premiado em 2023 com o tema "Ciências informáticas".
“A presença dos trabalhos vencedores dos dois prêmios, em uma mostra inédita na Galleria Candido Portinari, no Palazzo Pamphilj, apresenta ao público europeu uma experiência que combina excelência estética, relevância científica e diversidade de narrativas”, disse Vogt.

Through Southern Lenses
O trabalho de Musuk Nolte foi selecionado entre inscrições provenientes de quatro continentes, evidenciando o alcance global da iniciativa. Com o tema inaugural "Geleiras e desertos", o prêmio convidou fotógrafos a explorar os impactos visíveis das mudanças climáticas e as estratégias de adaptação de comunidades e ecossistemas em países em desenvolvimento.
O ensaio de Nolte documenta a revitalização de uma técnica ancestral andina praticada nas comunidades de Cusco, no Peru, conhecida como "plantar água". O método consiste na coleta de água da chuva em poços subterrâneos, permitindo sua infiltração gradual e aproveitamento durante períodos de seca. A prática é complementada pelo plantio do queñual (arbusto nativo que melhora a retenção hídrica em solos de altitude) e por técnicas modernas de adaptação de sementes. O projeto estabelece uma ponte concreta entre o conhecimento indígena e a ciência contemporânea, contribuindo para a resiliência das comunidades frente a eventos climáticos extremos.
“Esta história mostra o encontro entre conhecimento científico e conhecimento ancestral, sem hierarquias, mas como formas complementares de construir um mundo melhor. Grande parte das histórias que fotografo sobre água estão ligadas à seca e à contaminação. 'Planting Water' foi uma das poucas histórias positivas que consegui registrar, mostrando comunidades que se organizam para enfrentar a crise climática”, disse Nolte.
“É uma honra receber este prêmio em Roma e poder dar visibilidade, a partir do Sul Global, às histórias das comunidades andinas que trabalham coletivamente para proteger seus territórios e seus recursos naturais”, disse.

Fotógrafo documental e artístico, Musuk Nolte (Cidade do México, 1988, naturalizado peruano) desenvolve trabalhos voltados a questões culturais, sociais e ambientais. Explorador da National Geographic, dedica-se atualmente a um projeto de longo prazo sobre os sistemas hídricos da América do Sul e a crise da água, com foco nos Andes e na Amazônia. Seus trabalhos já foram exibidos em museus e bienais na França, Singapura, Coreia do Sul, Brasil e Espanha. Nolte dirige também a editora independente KWY Ediciones.
Renato Mosca, embaixador do Brasil na Itália, ressaltou a importância da iniciativa. “O trabalho de Musuk Nolte nos impressiona não apenas pela qualidade estética, mas pela ideia que traz consigo: a valorização de conhecimentos ancestrais diante dos desafios ambientais contemporâneos. Para o Brasil, que dedica enormes esforços à transição verde e à defesa do patrimônio ambiental, é muito significativo acolher esta iniciativa em Roma”, disse.
"O ensaio vencedor do Through Southern Lenses humaniza a questão científica de maneira extremamente sensível e expressiva. É um trabalho que enobrece a proposta do prêmio e reforça a potência da ciência vista pelas lentes do Sul Global", disse Carlos Vogt.
"O prêmio valoriza jovens talentos e amplia a visibilidade de artistas do Sul Global por meio de uma linguagem universal, que é a fotografia”, disse o embaixador brasileiro.
A cerimônia de premiação na Embaixada Brasileira contou com a presença de dezenas de pessoas, incluindo o cantor e compositor Neguinho da Beija-Flor, de passagem por Roma.
O ensaio vencedor do Through Southern Lenses foi selecionado por um júri internacional composto por nomes de destaque nas áreas de ciência, comunicação e fotografia, incluindo Mercedes Bustamante, Olubukola Oluranti Babalola, Ogechi Ekeanyanwu e Maira C. Gamarra.
Saiba mais sobre o Through Southern Lenses: southernlenses.org.






























































Comentários