Fundação Conrado Wessel anuncia vencedores do Prêmio FCW 2026
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Padre Júlio Lancellotti e Mario Murakami foram escolhidos pelas comissões julgadoras dos prêmios de Cultura e de Ciências, concedidos nos temas “Migrações – Direitos Humanos” e “Transição Energética”

Padre Júlio Lancellotti e Mario Murakami são os vencedores da edição de 2026 do Prêmio FCW, concedido pela Fundação Conrado Wessel. Os nomes foram escolhidos na terça-feira (25/08) pelas comissões julgadoras, que se reuniram na sede da Fundação, em São Paulo. Os prêmios, no valor de R$ 500 mil cada, serão entregues em cerimônia em outubro.
“O Prêmio da Fundação Conrado Wessel contempla novamente tanto a Ciência quanto a Cultura, destacando, neste ano, respectivamente, as áreas de Transição Energética e de Migrações – Direitos Humanos. As comissões julgadoras, compostas por nomes de destaque nas atividades científica e cultural brasileiras, decidiram pela escolha de Mario Murakami e do padre Júlio Lancellotti, cujas atuações expressam, em campos distintos, o compromisso com questões fundamentais para o futuro do país”, disse Carlos Vogt, diretor-presidente da FCW.
“Murakami se destaca por sua contribuição científica para o desenvolvimento de soluções biotecnológicas voltadas à transição energética e ao aproveitamento sustentável da biodiversidade brasileira. Padre Júlio, por sua vez, construiu uma trajetória de décadas na defesa da dignidade e dos direitos de pessoas em situação de vulnerabilidade, incluindo migrantes e refugiados. São escolhas que reafirmam o propósito do Prêmio FCW de reconhecer trajetórias de excelência, impacto social e compromisso ético”, disse Vogt.
Prêmio FCW de Cultura
“Agradeço, com muita emoção, o Prêmio FCW, da Fundação Conrado Wessel, que recebo em nome da população em situação de rua. Agradeço muito essa distinção. Sinto-me muito honrado e incentivado a perseverar na defesa dos direitos humanos. Estamos juntos nessa luta", disse o Padre Júlio Lancellotti.
Lancellotti é pároco da Paróquia de São Miguel Arcanjo, na Mooca, e vigário episcopal para a Pastoral do Povo da Rua da Arquidiocese de São Paulo. É uma das principais referências na defesa dos direitos humanos e na atenção às populações em situação de vulnerabilidade.
Nascido em São Paulo em 1948, Lancellotti é pedagogo e sacerdote católico. Sua trajetória de atuação social começou antes mesmo da ordenação sacerdotal. Formado em Pedagogia e especializado em Orientação Educacional, trabalhou no Serviço Social de Menores e no Centro de Apoio ao Imigrante, no Brás, onde deu aulas para crianças com dificuldades de aprendizagem. Em 1981, iniciou os estudos de Teologia. Foi ordenado sacerdote em 1985.
Ao lado de Dom Luciano Mendes de Almeida, padre Júlio participou da estruturação da Pastoral do Menor da Arquidiocese de São Paulo, esteve entre os grupos fundadores da Pastoral da Criança e colaborou na formulação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Desde 1986, quando foi designado para a Paróquia de São Miguel Arcanjo, Lancellotti desenvolve trabalho pastoral com pessoas em situação de rua e outros grupos socialmente vulnerabilizados.
A atuação de padre Júlio abrange moradores de rua, crianças e adolescentes, jovens em conflito com a lei, pessoas em liberdade assistida, imigrantes, refugiados e outros grupos submetidos a situações de exclusão. Sua ação combina acolhimento direto, assistência e defesa de políticas públicas voltadas à garantia de direitos e à inclusão social.
Na trajetória do padre Júlio, a questão migratória aparece tanto em sua experiência profissional, desde o trabalho no Centro de Apoio ao Imigrante, quanto em uma atuação mais ampla em defesa de pessoas submetidas à exclusão e à vulnerabilidade social. Ao longo das décadas, ampliou esse trabalho para a defesa de migrantes e refugiados, especialmente daqueles que chegam ao Brasil em condições de vulnerabilidade e enfrentam dificuldades de acesso à moradia, ao trabalho, à documentação e aos serviços públicos.
“O reconhecimento ao padre Júlio Lancellotti expressa a compreensão de que Cultura também se faz na construção cotidiana de uma sociedade mais justa, solidária e inclusiva. Sua trajetória demonstra como a defesa dos direitos humanos, o acolhimento e a atenção aos que vivem situações de exclusão podem produzir uma dimensão cultural profunda, ao transformar a maneira como a sociedade enxerga e trata aqueles que dela fazem parte”, disse Carlos Vogt.
A Comissão Julgadora do Prêmio FCW de Cultura 2026 foi presidida por Alcir Pécora (crítico literário e professor da Unicamp) e composta por Ana Carolina de Moura Delfim Maciel (professora do Instituto de Artes da Unicamp), Carlos Augusto Machado Calil (professor da Escola de Comunicações e Artes – ECA da USP), Eugênio Bucci (professor titular da ECA-USP), Hubert Alquéres (presidente da Academia Paulista de Educação), Liniane Haag Brum (pesquisadora em literatura, docente e autora), Márcio Seligmann-Silva (professor titular de Teoria Literária na Unicamp), Mariluce Moura (diretora-presidente do Instituto Ciência na Rua), Sabine Righetti (professora no Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Unicamp) e Suzana Velasco (pós-doutoranda no Instituto de Artes da Unicamp).

Prêmio FCW de Ciências
Mario Tyago Murakami é diretor do Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR) do Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais (CNPEM) e presidente da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Atua na área de Biotecnologia, com foco em mecanismos moleculares e sistemas microbianos da biodiversidade brasileira para o desenvolvimento de biofábricas e rotas biotecnológicas sustentáveis.
Coordenador do Programa Fapesp de Pesquisa em Transição Energética, Murakami lidera pesquisas voltadas a desafios estratégicos relacionados à bioenergia, bioeconomia e biorrenováveis. As pesquisas concentram-se, entre outros temas, na despolimerização de resíduos agroindustriais e na bioconversão microbiana. Seus trabalhos resultaram em descobertas de mecanismos inéditos de biocatálise e avanços na área de metabolismo de carboidratos, com resultados publicados em periódicos internacionais de alto impacto, como Nature, Science, Nature Chemical Biology, PNAS e Nature Communications.
As plataformas biotecnológicas desenvolvidas sob sua liderança vêm sendo validadas em escala piloto e em condições operacionalmente relevantes, além de serem customizadas em parceria com o setor produtivo. Entre elas destaca-se a plataforma OpEn, primeira tecnologia nacional para produção de enzimas voltadas à bioindústria, disseminada em dezenas de universidades e institutos de pesquisa no Brasil e utilizada por instituições de mais de dez países.
“Receber o Prêmio FCW é uma enorme honra, especialmente por reconhecer a importância de conectar grandes questões fundamentais da biologia, desde o nível atômico e molecular até a inovação em larga escala necessária para viabilizar uma transição energética de baixo carbono. O Brasil reúne condições únicas para liderar essa transformação, combinando uma extraordinária capacidade de produção de biomassa associada à agricultura, uma das maiores biodiversidades do planeta, competência científica de nível internacional e um histórico de inovação já demonstrado pelo sucesso da bioenergia. Nesse contexto, o prêmio reforça a importância de investir em ciência de longo prazo como política de Estado e em pesquisas capazes de conectar conhecimento fundamental à geração de impacto econômico, ambiental e social. Mais do que um reconhecimento de trajetória, é também um incentivo para continuarmos construindo soluções científicas que contribuam para o desenvolvimento sustentável do país", disse Murakami.
Murakami se destaca pela coordenação de programas científicos estratégicos de alcance nacional, integrando universidades, institutos de pesquisa e setor produtivo em torno de desafios ligados à bioeconomia, aos biorrenováveis e à transição energética. Essas iniciativas buscam fortalecer a soberania tecnológica brasileira e posicionar o país como protagonista global no desenvolvimento de soluções sustentáveis de base biológica.
No cenário internacional, tem contribuído com artigos conceituais e perspectivas em edições especiais de periódicos da família Nature, incluindo Nature Chemical Biology e Nature Biotechnology. Integra conselhos consultivos de iniciativas globais em bioeconomia e foi eleito pela comunidade científica para presidir a Gordon Research Conference “Carbohydrate-Active Enzymes for Glycan Conversions”, programada para 2029.
O reconhecimento de sua liderança científica também se reflete nos frequentes convites para ministrar palestras magnas e conferências de abertura em alguns dos principais fóruns internacionais da área, como o International Conference on Renewable Resources & Biorefineries e o Biomass and Bioenergy Congress.
“Em Ciências – Transição Energética, a escolha de Mario Murakami evidencia a importância de uma ciência de fronteira que, ao mesmo tempo em que amplia o conhecimento sobre os mecanismos fundamentais da vida, produz possibilidades concretas de inovação para desafios estratégicos do país. Com apenas 45 anos de idade, sua trajetória já reúne excelência científica, liderança institucional e capacidade de estabelecer pontes entre a pesquisa acadêmica e o setor produtivo”, disse Carlos Vogt.
A Comissão Julgadora do Prêmio FCW de Ciências foi presidida por Helena Nader (presidente da Academia Brasileira de Ciências) e composta por Antonio José Roque da Silva (diretor-geral do CNPEM), Antonio José de Almeida Meirelles (diretor administrativo da Fapesp), Carlos Alberto Aragão de Carvalho Filho (diretor de Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Finep), Carlos Frederico de Oliveira Graeff (diretor-presidente da Fapesp), Jerson Lima Silva (professor titular da UFRJ), José Galizia Tundisi (professor titular da USP), Marcio de Castro Silva Filho (diretor científico da Fapesp), Manoel Barral Netto (pesquisador titular da Fiocruz-Bahia) e Olival Freire Junior (presidente do CNPq).

O Prêmio FCW reconhece anualmente personalidades ou entidades que se destacam por talento inovador, liderança, abrangência social, trabalho, integridade e ética. Criado pela Fundação Conrado Wessel, o prêmio contempla diferentes áreas do conhecimento e tem entre seus objetivos valorizar trajetórias que contribuam de maneira relevante para a sociedade brasileira.
Fotos: Ravena Rosa/Agência Brasil, CNPEM e FCW.




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