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Futuro da Linguagem

Conservação da biodiversidade

Com um cenário cada vez mais grave de degradação dos ecossistemas, cientistas debatem o que precisa ser feito para que o mundo não entre em colapso

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Nesta edição de FCW Cultura Científica, os pesquisadores Carlos Joly, Jean Paul Metzger, Leticia Costa Lotufo, Gabriela Di Giulio e Alexander Turra explicam as novas linhas do programa Biota-Fapesp e apontam caminhos para enfrentar a crise da biodiversidade

A 10ª Conferência das Partes na Convenção da Diversidade Biológica (COP10) foi realizada de 18 a 29 de outubro de 2010 em Nagoya, no Japão. No final do encontro, foi estabelecido o Plano Estratégico para a Biodiversidade, com 20 proposições que ficaram conhecidas como Metas de Aichi, nome da província japonesa onde fica a cidade de Nagoya. 


As Metas de Aichi eram voltadas à redução da perda da biodiversidade em âmbito global, nacional e regional. Entre elas estavam “até 2020, a taxa de perda de todos os hábitats naturais será reduzida em pelo menos a metade e na medida do possível levada a perto de zero” e “a poluição, inclusive resultante de excesso de nutrientes, terá sido reduzida a níveis não-detrimentais ao funcionamento de ecossistemas e da biodiversidade”. 


Não é preciso ser um especialista em conservação para saber que essas duas metas não foram atingidas. A quase totalidade das metas deixou de ser alcançada. Algumas foram apenas em parte e talvez nem isso, como “até 2020, no mais tardar, as pessoas terão conhecimento dos valores da biodiversidade e das medidas que poderão tomar para conservá-la e utilizá-la de forma sustentável”. 


Em dezembro de 2022, após atraso em decorrência da pandemia de Covid-19, ocorreu em Montreal a COP15, agora intitulada Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade. O evento no Canadá reuniu representantes de 188 governos, que, no último dia de negociações, concordaram com o Quadro Global de Biodiversidade Kunming-Montreal, o qual estabelece 23 novas metas a serem alcançadas até 2030. 


Entre as novas metas estão: Conservação e gestão efetiva de pelo menos 30% das terras, áreas costeiras e oceanos do mundo (atualmente, 17% das terras e 8% das áreas marinhas estão sob proteção); Restauração de 30% dos ecossistemas terrestres e marinhos; Reduzir a quase zero a perda de áreas de alta importância para a biodiversidade e alta integridade ecológica; Reduzir pela metade o desperdício global de alimentos; e Mobilizar pelo menos US$ 200 bilhões anualmente de fontes públicas e privadas para financiamento relacionado à biodiversidade.


Essas metas representam um passo importante no compromisso global de preservar a diversidade biológica e enfrentar os desafios ambientais. Mas faltando apenas sete anos para expirar o prazo, quantas serão alcançadas? O planeta precisa que a maioria seja, pois a perda de biodiversidade está mais acelerada do que a capacidade de reação dos ecossistemas. “É fundamental entender que mudanças incrementais não serão mais suficientes”, afirma Carlos Joly, professor emérito da Unicamp e uma das maiores autoridades mundiais em conservação. 


“Não adianta mais simplesmente dizer coisas do tipo ‘vamos aumentar as áreas protegidas das atuais 17% para 30%’. Lógico que isso ajudaria, mas não vamos resolver o problema da conservação se não tivermos o que chamamos de mudanças transformativas, como sair da economia baseada em carbono fóssil ou mudar hábitos alimentares adotando uma dieta com menos proteína animal. Mudanças transformativas são realmente importantes para que possamos atingir as metas da COP15”, disse. 


Um dos entrevistados nesta edição de FCW Cultura Científica, Joly é mentor do Biota-Fapesp, o principal programa de pesquisa sobre biodiversidade no país. Com mais de 20 anos de atividade e a colaboração de centenas de cientistas, o programa é responsável por centenas de trabalhos científicos que multiplicaram o conhecimento sobre biodiversidade. Um conhecimento que não ficou restrito às universidades e centros de pesquisa, mas que embasou a legislação para conservação e restauração ambiental no estado de São Paulo. 


Em um momento em que a crise da biodiversidade se agrava em todo o mundo, o Biota-Fapesp entrou recentemente em uma nova fase, com a divisão em eixos estratégicos para ampliar a ação das pesquisas em biodiversidade. “Não podemos mais apenas gerar conhecimento sobre a biodiversidade, precisamos conseguir trabalhar com a biodiversidade como parte da solução”, afirma Jean Paul Metzger, membro da coordenação do programa. 


Nesta edição de FCW Cultura Científica, Metzger e outros membros da coordenação do Biota-Fapesp, os professores Leticia Costa Lotufo, Gabriela Di Giulio e Alexander Turra, explicam as novas linhas do programa e apontam caminhos para enfrentar a crise da biodiversidade.


Boa leitura!


Carlos Vogt Editor-chefe








Revista FCW Cultura Científica v. 2 n.1 Fevereiro - Abril 2024

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